Viagem Literária passa pela Biblioteca de São Paulo, com a Cia. Bisclof

Contação abre espaço para diálogo com as crianças, acolhendo as indagações e sugestões de novos desfechos para a história

DSC_9491Fotos: Equipe SP Leituras

O programa Viagem Literária fez uma parada nesta terça-feira, dia 14, na Biblioteca de São Paulo. A história do Monstro monstruoso da caverna cavernosa, de Rosana Rios com ilustrações de André Neves, encantou crianças e jovens que lotaram o auditório e interagiram com a atriz e contadora de histórias Adreísa Cangussú e o músico e arte-educador Ricardo Barison, da Cia. Bisclof.

O livro foi contado de um jeito diferente – com música, fantoches e objetos. “Muitas histórias cabem dentro de uma história. A nossa, a sua, a da autora”, diz Adreísa.

E este jeito vivo de contar, que convoca a participação das crianças, que abre espaço para suas indagações e que acolhe sugestões de novos desfechos para a história, mobilizou a atenção.

Sophia Xavier Ferreira, 8 anos, está na 2ª série : “essa não é uma história de monstro de terror. Eu gostei, amei.”

Nikolas Machado Pereira, 7 anos, também está 2ª série e diz que gosta mais de ouvir do que ler histórias. Ao final do espetáculo perguntou: “eu quero saber se vai ter a continuação  ou esta história vai acabar aqui?”

As duas crianças são alunas da Escola Municipal de Ensino Fundamental Bartolomeu Lourenço de Gusmão, localizada na Zona Leste da capital. Nela, as saídas constam do projeto pedagógico. “Embora organizar a logística de transporte da Vila Carrão até aqui (bairro Santana) dê trabalho, dá também muito retorno”, diz Rosália Aparecida de Oliveira, há 23 anos diretora da escola que trouxe 58 alunos.

“Eu considero essa biblioteca um símbolo – eu conto para os alunos o que foi aqui, a transformação de um lugar que era um inferno para o que eu considero ser uma biblioteca com vida”, acrescenta a diretora.

Na escola Bartolomeu Lourenço de Gusmão, os alunos de 7 e 8 anos tiveram contato prévio com o livro Monstro monstruoso da caverna cavernosa durante as aulas de leitura. A escola traz alunos de diferentes faixas etárias para a Biblioteca de São Paulo. Alunos dos 9º anos costumam assistir ao programa Segundas Intenções, com escritores convidados.

“O retorno disso é visível, multiplicador. Depois as crianças vêm com a família. Saímos da Vila Carrão e fizemos o percurso, passamos pelo rio Tietê, por diferentes bairros, até chegarmos aqui. Depois disso, eles vão longe”, diz Rosália, referindo-se a experiência transformadora.

 

A contadora de histórias Adreísa Cangussú e o músico e arte-educador Ricardo Barison, da Cia. Bisclof, participam do programa Viagem Literária há três edições.

O que é uma figueira – e as diferentes percepções do território

“Participamos do Viagem cumprindo diferentes roteiros e tivemos experiências no litoral, cidades menores e também maiores. São Paulo é um estado gigantesco e cada município tem sua cultura e vamos entendendo um pouco as diferenças. Em São Bento do Sapucaí, por exemplo, fizemos apresentações tanto na zona urbana, como na zona rural e aí você percebia nas crianças da mesma cidade como existe a diferença de mentalidade, de vivências. As da zona rural, são aquelas que prestam mais atenção, tem um tempo mais dilatado e que podem esperar a história acontecer, sem pressa. A história que a gente contou tinha uma figueira, que em geral as crianças da zona urbana não sabem o que é – e as crianças da zona rural sabiam que é uma árvore, que dá figo, que é possível fazer doce… Enfim, se dentro da mesma cidade tem essas diferentes percepções, imagina no estado de São Paulo inteiro?”, reflete Ricardo.

 

Um olhar ampliado para a biblioteca

“Quando a gente chega em uma biblioteca para contar uma história viva, com arte, com livro, essa biblioteca fica ainda mais viva. Acho que a gente traz o livro de outra forma e também um olhar ampliado para a biblioteca. Se o espaço não é um lugar tão frequentado, e, de repente, acontece uma atividade artística, ele passa a chamar a atenção das pessoas da cidade.  Em municípios menores, nos quais não há atrações culturais, uma narração de história pode atrair muitas pessoas para dentro da biblioteca. Além disso, essa ação incentiva os profissionais das bibliotecas a desenvolverem uma programação cultural própria. E como há contadores de história nas cidades, é possível fomentar o desenvolvimento de público aproveitando os artistas locais”, diz Adreísa.

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